Albufeira, breve história
Enquadramento geográfico da Escola
De fundação incerta, mas dada a sua privilegiada posição, aqui terão aportado fenícios, gregos e cartagineses. Da presença romana também pouco se sabe, no entanto, teria tomado o nome de Baltum. Falta-nos uma intervenção arqueológica sustentada para podermos, com segurança, falar da presença destes povos. Ocupada numa primeira fase pelos Romanos, o seu nome inicial era Baltum. Este povo introduziu pela primeira vez o conceito de organização administrativa e desenvolveu uma intensa actividade agrícola e comercial. Construiu ainda aquedutos, estradas e pontes, dos quais ainda existem vestígios.
Albufeira provém de árabe Al-Buhera, que significa "Castelo do Mar", nome que poderá estar ligado ao facto da sua proximidade do mar ou da lagoa que se formava na parte baixa da cidade.
Da presença árabe já dispomos de inúmeras fontes, principalmente escritas, que atestam a sua permanência entre 716 a 1250, altura em que D. Afonso III conquista Al-Buhera para as hostes cristãs. Findos os cinco séculos de presença árabe podemos falar de uma profunda alteração da realidade urbana e rural que ainda hoje constituem verdadeiro legado árabe. Foram os decisivos avanços nas técnicas agrícolas (nora, açudes, hortas, etc.) são por outro lado, as casas brancas com açoteias e as ruas tortuosas, para além de inúmeras influências linguísticas.
Com a conquista cristã todo o Algarve entra numa situação de penúria económica e de marginalidade face ao novo poder político e religioso. As relações económicas entre o Algarve e o Norte de África quebram-se com a expulsão dos muçulmanos e um agravamento do conflito político-militar e religioso. Prova destas dificuldades são as ordens de D. Fernando e posteriormente D. Afonso V, no sentido de que os concelhos de Faro, Lagos, Tavira e Silves "repartissem com ela [Albufeira] o pão que lhes viesse de fora". Esta situação de penúria e de dificuldades só serão ultrapassadas a partir do séc. XV com os benefícios da expansão Portuguesa para as Costas do Norte d'África.
O ressurgimento económico-social que se regista no Algarve, leva D. Manuel a conceder Foral à sua vila de Albufeira em 1504. O séc. XVI é rico em fontes sobre Albufeira. Em 1573 D. Sebastião visita a vila e o cronista que o acompanha, descreve-a da seguinte forma:
"Desta vila é Alcaide-Mor D. Diogo de Azevedo (...) e é cercada toda de muro. E assim por sítio da banda do mar, rocha viva em que há um baluarte com artilharia, como pela outra banda de terra é bem forte".
Em 1607 o Licenciado Henrique Fernandes Sarrão calcula que a vila tivesse 450 vizinhos e faz a seguinte descrição de Albufeira: "É cercada de muro fortíssimo, na qual tem três portas, uma para norte, outra para o levante e outra para poente. Está torreada de nove torres, e em seu castelo com duas torres muito fortes e dentro uma cisterna d'água (...) e em roda da banda do norte, corre um ribeiro que lhe serve de profunda cava".
Em relação à actividade económica no séc. XVI escreve-nos Frei João de S. José que visitou a vila em 1575: "O mais dela é povoado de lavradores e tem muitas figueiras e nela se carrega muita mercadoria desta para diversas partes". Depois acrescenta que as principais produções eram: figo, vinho, trigo, caça, amêndoa e esparto. As actividades piscatórias também assumiam relevância, particularmente a pesca do atum. Assim, neste século (XVI) são concedidos diversos alvarás para armações do atum e da sardinha. Esta estrutura económica assente na pesca, nos frutos secos, principalmente o figo para exportação, prolongou-se por todo o Antigo Regime e chega até aos primórdios do séc. XX, quando surgem alguns indícios de industrialização. São implantadas em Albufeira algumas fábricas de conservas de peixe e de transformação de figo e alfarroba. Este tímido surto industrial nunca chega a ter grande significado económico e não ultrapassa os anos cinquenta do nosso século.
É precisamente nesta altura que Albufeira desperta para o turismo. Dá os primeiros passos na década de sessenta para registar uma explosão turística nos anos oitenta e princípios de noventa.
Esta nova realidade económica muda em definitivo toda a estrutura da sociedade albufeirense. Da pequena vila piscatória passa, na época balnear, a cidade cosmopolita. Albufeira constitui-se como o grande centro turístico algarvio e mesmo nacional. Dá-se assim uma verdadeira explosão urbana com um crescimento demográfico ímpar no contexto nacional. Dos 7660 habitantes em 1970 passa para 15373 em 1991. Em vinte anos duplica a sua população, correspondendo este período ao grande "boom" turístico que alterou radicalmente a pequena urbe que até aos anos setenta ainda se limitava ao espaço da antiga vila.
Hoje o núcleo histórico já perdeu as funções administrativas com a transferência dos Paços do Concelho, do Tribunal, da Repartição de Finanças e o novo parque escolar (Escola Secundária, Primária e Pré-Primária) para a parte nova da cidade. Paralelamente a este crescimento urbano dá-se o desenvolvimento das infra-estruturas das acessibilidades, de saneamento, do ensino, faltam, no entanto, as infra-estruturas de lazer e de desporto.
O surto turístico fez descolar Albufeira do contexto do restante concelho. Hoje concentra 80% do total da população e a quase totalidade das actividades hoteleiras. As assimetrias entre as três freguesias (Albufeira, Guia e Paderne) aprofundam-se e o interior não acompanha este desenvolvimento, transformando-se no fornecedor de mão-de-obra à sede do concelho ou, em alternativa, ou sem ela, definha numa agricultura tradicional baseada nos frutos secos e, aqui e ali, alguns pomares de citrinos.
Na estrutura da actividade económica o sector terciário, por via do turismo, atinge 64% da população activa, o que revela a importância desta actividade no contexto sócio-económico do concelho. O sector secundário emprega 22% da população activa e o sector primário 14%.
A sazonalidade do turismo provoca também a sazonalidade do emprego. Esta sazonalidade tem implicações a montante e a jusante da actividade turística, provocando, na estação baixa, uma redução na actividade económica.


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