Gabinete de Segurança
As escolas são locais privilegiados de formação humana, experiência de vida e aquisição de instrumentos essenciais para se viver em sociedade. Nelas co-habitam diferentes gerações, e diferentes estratos sócio-culturais. Por outro lado, são locais de trabalho e simultaneamente de educação e lazer, onde as mais variadas actividades se conjugam para fornecer a formação académica de uns e a ocupação profissional de outros. Os alunos representam manifestamente a grande fatia de frequentadores destes locais, mas devido à sua idade e inexperiência situam-se sob a alçada protectora dos seus educadores, ou seja, de professores, auxiliares de acção educativa e demais funcionários da escola. Para alguns, a escola é o local que pode colmatar as falhas sentidas no seio da família. Embora, hoje mais do nunca, se assistam a situações de conflito no seio das escolas, não podemos esquecer que alguns alunos enfrentam conjunturas bem mais problemáticas no seio da própria família e, por essa, razão, a escola ainda representa o meio físico que melhores meios fornece à formação e educação de certos jovens. Como a Lei de Bases do Sistema Educativo refere, o direito à educação significa que os meios educativos devem favorecer o desenvolvimento global da personalidade (Lei nº 46/86, de 14 Outubro, artº 1º, nº2). Ora, quando a família não consegue dotar os jovens de determinadas capacidades, a escola, naturalmente, assume esse papel, substituindo-a.
A Escola Secundária de Albufeira traduz-se numa comunidade constituída por mais de mil e quinhentos indivíduos, onde confluem uma série de interesses, expectativas e ambições. Este local, onde de manhã ao final da noite, mais de mil pessoas vivem, estudando, trabalhando, alimentando-se e dedicando-se a actividades de lazer, nomeadamente actividades desportivas, representa um meio onde as pessoas se devem sentir seguras, não só de ameaças de origem humana, como de outras ameaças ou perigos, nomeadamente físicos, psicossociais, biológicos, químicos, ergonómicos e operacionais. Neste sentido, não se trata apenas de garantir a segurança dos trabalhadores, mas trata-se, contudo, de garantir a segurança dos seus principais utentes, que são, em última análise, também eles trabalhadores, isto é os alunos. Se, por um lado, pareceria tratar-se do local ideal para a implementação de uma cultura de segurança, visto ser o local, como anteriormente referido, privilegiado para a constituição global da personalidade, por outro lado, trata-se de um local com uma especificidade única, pois os indivíduos que o compõem estão a dar os primeiros passos na sua experiência de vida.
A segurança, nomeadamente a segurança no local de trabalho, como sabemos, é ainda uma área muito pouco desenvolvida na maioria dos países e Portugal inclui-se nesse grupo. Não existe uma verdadeira cultura de segurança e isso é visível também nos conteúdos programáticos do sistema educativo português. Começam agora a surgir nos curricula escolares disciplinas e programas relacionados com o tema, nomeadamente a disciplina de Formação Cívica que é leccionada no terceiro ciclo do ensino básico, mas encontramo-nos ainda num estado muito incipiente nesta matéria. Por outro lado, na maioria das empresas e ou instituições trata-se de uma área onde se começam agora a vislumbrar os primeiros esforços. As escolas, em geral, e as públicas, em particular, não fogem a essa regra. A comunidade escolar está ainda pouco sensibilizada para a questão da segurança, associando o termo a situações de violência entre alunos ou entre alunos/encarregados de educação e professores e descurando questões tão simples e básicas como a existência de um kit de primeiros socorros, algo que existe na maior parte dos nossos lares. No fundo, esta mentalidade não é típica das comunidades escolares, alarga-se a todos os meandros da sociedade. Habituámo-nos a depender dos serviços de urgência e socorro, nomeadamente bombeiros e hospitais para tratarmos a mais simples lesão. Esta atitude representa a forte dependência da nossa sociedade no estado providência ou estado social e a falta de uma cultura virada para a comunidade civil, onde todos temos o dever de sermos responsáveis pela nossa própria segurança e pela segurança dos que nos rodeiam, especialmente dos menos capazes e/ou habilitados, nomeadamente as crianças e adolescentes, os portadores de deficiência e ainda os mais velhos.
Na verdade, o universo escolar pode e deve integrar o território modelar no sentido da alteração, não só pelo impacto positivo que pode ter no resto da população, mas, sobretudo, pelo efeito que poderá ter na evolução cultural de gerações vindouras.
É objectivo do Gabinete de Segurança desta escola a sensibilização de toda a comunidade escolar: alunos, professores e funcionários, no sentido de prevenir os acidentes e as consequências nefastas dos mesmos. Neste momento, trabalha-se na elaboração de um plano de emergência actualizado e operacional, a ser utilizado na eventualidade de uma catástrofe natural ou atentado. A instalação de dispositivos de combate a incêndio, a preparação das equipas de intervenção e a reformulação de caminhos de evacuação são alguns dos projectos que o Gabinete de Segurança está a levar a cabo.
Os objectivos principais do Gabinete de Segurança são:
- Favorecer a escola de um nível de segurança eficaz;
- Limitar as consequências de um acidente;
- Sensibilizar e co-responsabilizar toda a comunidade escolar para a necessidade de conhecer procedimentos de auto-protecção em caso de acidente;
- Sensibilizar e co-responsabilizar toda a comunidade escolar para o cumprimento das regras de segurança;
- Preparar e organizar os meios humanos e materiais existentes, para garantir a salvaguarda de pessoas e bens, em caso de ocorrência de uma situação perigosa.


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