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Um novo ano lectivo se iniciou e, com ele, novos desafios enfrenta a comunidade escolar.
Ao longo dos últimos anos, a pluralidade cultural tem vindo a caracterizar a população estudantil e a ESA reflecte bem essa multiculturalidade.
A globalização e consequentes transformações sociais trazem até nós jovens dos mais diversos países.
Chegam, frequentemente, seguindo os pais na busca de uma situação mais favorável ou, mais raramente, no âmbito de programas de intercâmbio cultural, como o da organização American Field Service (AFS).
Sem falar Português ou até outra língua que permita a comunicação, num ambiente totalmente distinto do seu, sentem-se desenraizados. Nos primeiros tempos, não conseguir obter uma informação nem comprar algo no bar, assistir às aulas sem entender absolutamente nada, acaba por remetê-los ao isolamento e à frustração. Tanto mais que estão conscientes de que a educação é a via para alcançarem as suas metas, habitualmente já bem definidas e mesmo elevadas. Isto é mais comum, como sabemos, entre os alunos oriundos de Leste.
Com os amigos da sua nacionalidade e em casa falam as suas línguas maternas. Prática esta que dificulta, inicialmente, o envolvimento com o meio e o enriquecimento vocabular. Os próprios pais devem, pois, aprender e comunicar em Português, alargando, deste modo, as suas competências linguísticas e contribuindo para uma melhor inserção dos filhos.
Não podemos esquecer que também os estudantes provenientes de outros países de língua portuguesa têm dificuldades de integração. Os de origem africana falam, muitas vezes, Crioulo, sendo o Português a sua segunda língua. Os brasileiros, apesar de partilharem o idioma, têm normas linguísticas diferentes.
A capacidade de adaptação e o empenho dos alunos estrangeiros são, contudo, extraordinários, podendo mesmo servir de exemplo para os colegas que, entre outras razões, por não terem sido sujeitos a privações, não têm sequer respeito pela instituição.
Registaram-se alguns progressos no ensino português, como a criação da disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM) e de apoios específicos para estes discentes. Ainda não está, todavia, devidamente preparado para lidar com estas situações, dando equivalência de estudos a quem não entende minimamente a língua portuguesa e, muito menos, as nossas referências culturais. Somos nós, os professores, que nos deparamos realmente com dificuldades diárias e inesperadas e que criamos condições e instrumentos de ensino/aprendizagem diferenciados. Somos ainda nós que, compreendendo a situação em que se encontram involuntariamente, tentamos integrá-los e incentivamos a pluralidade cultural, a qual é, sem dúvida, uma mais-valia para o alargamento de conhecimentos de todos.
Estando estes alunos enquadrados numa comunidade, a escolar, cabe a esta (na sua globalidade de professores, alunos e funcionários) ajudá-los a percorrer o caminho até ao sucesso, que será, afinal, de todos aqueles que para ele contribuíram.
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